9 de abril de 2013

Paulo pede privatização do aeroporto de Goiânia, mas Dilma veta proposta



Reportagem do jornal Valor Econômico, publicada na edição de ontem, revela que o prefeito Paulo Garcia  (PT) requisitou, sem sucesso, que a presidenta Dilma Rousseff privatizasse o aeroporto de Goiânia como forma de retomar as obras paradas dos novos terminal e pista desde abril de 2007.

"A insatisfação dos goianos (com as obras paradas) é tão grande que o prefeito da capital, Paulo Garcia (PT), chegou a pedir à presidenta Dilma Rousseff que o aeroporto fosse simplesmente privatizado. Técnicos da Secretaria de Aviação Civil e da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) simpatizavam com a ideia, mas Dilma não lhes deu ouvidos", relata a reportagem.

O abandono e o mato tomando conta do esqueleto do que deveria ser o novo aeroporto voltou às manchetes da imprensa nacional através de uma ampla matéria do Valor sobre os muitos problemas que atrasam as obras do novo terminal e pista, paradas há exatos 6 anos.

O cenário de descaso não espanta apenas aos goianienses, que diariamente se deparam com o prédio em deterioração ao lado na BR-153. O jornalista Daniel Rittner, enviado especial a Goiânia, descreve assim a visão da obra: "No exato local onde deveria haver balcões de check-in, o mato cresce descontroladamente, enquanto teias de aranha desencorajam a aproximação. Um antigo alojamento, que servia como apoio aos trabalhadores nos canteiros ganhou ares de vila fantasma, com entulho acumulado e placas derrubadas pelos temporais. Parece cenário de um filme de terror.

O novo aeroporto de Goiânia, que atinge hoje a incrível marca de 2.174 dias de obras paradas, transformou-se em um monumento à ineficiência estatal em ampliar seus serviços de infraestrutura."

O Valor destaca que, desde abril de 2007, quatro presidentes da Infraero tentam retomar as obras, sem sucesso. E não apenas eles. Os esforços do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), e do prefeito Garcia (que só recentemente entrou no circuito, se mostraram pouco frutíferos.

O jornal enfoca os problemas judiciais que emperraram as obras, inicialmente licitadas ao consórcio Odebrecht-Via Engenharia no valor de R$ 257,7 milhões e depois aditivada para R$ 287,6 milhões. Uma auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) encontrou 13 irregularidades, das quais 11 foram consideradas graves, com sobrepreço de R$ 66,6 milhões e "significativas" alterações do projeto usado na licitação. Com isso, foi retido de forma cautelar 20,23% dos valores a serem pagos pela Infraero às empreiteiras.

"Alegando extrema insegurança jurídica e sem receber mais nenhum centavo, o consórcio construtor abandonou os canteiros, em 25 de abril de 2007. Daqui a duas semanas, completam-se nada menos que seis anos de paralisação", relata o jornal. O caso atualmente está na Justiça Federal. As empreiteiras cobram o pagamento pela Infraero de quase R$ 11 milhões por serviços executados. A estatal discorda e acredita que já pagou tudo o que devia.

A última tentativa de solução, que contou com a insistência do governador Perillo, é uma espécie de volta às origens, segundo o Valor. "O consórcio construtor assinou um termo de acordo preliminar, com a Infraero, para complementar o projeto executivo e torná-lo referência para a retomada das obras. As empreiteiras já entregaram a primeira parte dos trabalhos, e a perspectiva é de que o TCU faça nas próximas semanas o reexame do assunto", diz o texto.

Fonte: Mais Goiás