7 de abril de 2013

Marconi prioriza Goiânia



Com popularidade em baixa na capital, governador quer resgatar prestígio com obras importantes. Além disso, estratégia é se fortalecer em um dos principais colégios dominados pela oposição.

Goiânia tornou-se a “menina dos olhos” do governador Mar­coni Perillo (PSDB). Prova disso é que, dos grandes projetos anunciados pelo governo para os próximos dois anos, pelo menos seis deles estão na capital. O objetivo principal é oferecer melhorias para a população, mas, além disso, dar mais atenção para a cidade pode ser uma forma de neutralizar em parte a influência da oposição, que governa o município há 13 anos. Além disso, a região metropolitana da capital concentra, atualmente, o principal foco de resistência ao tucano, o que pode comprometer o projeto de reeleição da base aliada para 2014.

Um breve levantamento mostra que o governador está empenhado em realizar obras para a população goianiense (veja quadro). Na área de mobilidade urbana, estão previstas obras como a construção de viadutos nas saídas de Inhumas, Nerópolis e Trindade, do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) no Eixo Anhanguera, e a duplicação das GOs que ligam Goiânia a municípios da região metropolitana.

Na saúde, o governo quer construir o Hospital da Região Noroeste e o Centro de Recu­peração para Dependentes Químicos (Credeq), que será em Aparecida, mas que irá abranger a população goianiense. Além disso, até projetos que estão parados e que geram desgaste para o governo estão entre os planos. É o caso da retomada das obras do Centro de Excelência do Esporte (o antigo Estádio Olímpico, demolido em 2006) e de uma reforma no Autódromo Inter­nacional de Goiânia.

Com as obras, o governador irá atingir, de uma só vez, dois objetivos. O primeiro é conseguir mostrar serviço para a população de Goiânia, enquanto o segundo é diminuir a influência da oposição na capital. O atual prefeito, Paulo Garcia (PT), é um dos supostos pré-candidatos ao governo em 2014, podendo enfrentar o tucano, que deve buscar a reeleição. No momento, porém, há mais obras do Estado do que da Prefeitura, por exemplo.

Além disso, a oposição tem em Goiânia uma base eleitoral forte. Há 13 anos, PMDB e PT se revezam na prefeitura da capital, com os petistas comandando de 2001 a 2004, com Pedro Wilson, e de abril de 2010 até hoje, com Paulo Garcia. Já os peemedebistas governaram o Paço de 2005 a 2010, com Iris Rezende (PMDB), que também é o principal nome da opo­sição em Goiás e adversário histórico do tucano.

O peemedebista, que foi derrotado pelo tucano em 2010, é sempre lembrado pelas obras que fez quando governador do Estado e, principalmente, pelos asfaltamentos promovidos em bairros da capital. Nesse sentido, projetos bem sucedidos do governador poderiam também ajudá-lo a ficar mais próximo de Iris nesse sentido.

Espaço
Embora na prática seja perceptível o jogo político por trás das obras estaduais em Goiânia, tanto o governo quanto a oposição tratam o assunto com naturalidade. “De forma nenhuma essas obras têm esse caráter eleitoral. Alguém tem coragem de questionar os problemas de trânsito que Goiânia enfrenta? A falta de mobilidade urbana é um problema gravíssimo aqui na capital, então eu acho natural que o governador dê atenção a isso”, defende o secretário de Meio Ambiente do governo, Leonardo Vilela (PSDB).

A oposição segue o mesmo caminho. “Pessoalmente, vejo com bons olhos se o governador conseguir fazer essas obras e não como uma forma de desconstruir o Paulo. Eu acho que ele já devia era estar fazendo tudo isso, pois a cidade precisa”, explica o vereador Carlos Soares (PT).

Internamente, porém, os dois lados tem opiniões mais fortes sobre a questão. No PT, há quem veja uma intenção clara do governo do Estado em buscar uma forma de rivalizar com a administração petista. Entre os aliados do governador, a avaliação é de que Goiânia tem muitos votos a serem disputados.

“É óbvio que Goiânia é uma caixa de ressonância para todo o Estado, mas um fator importante é que a eleição aqui está aberta. O Paulo venceu a eleição para a prefeitura com um porcentual que o Iris começaria (na eleição estadual), por exemplo”, analisa um deputado próximo ao governador.

Nesse sentido, portanto, a intenção do governador com as obras é capitalizar votos em 2014. No segundo turno de 2010, por exemplo, Iris Rezende venceu Marconi por uma diferença de pouco mais de 70 mil votos em Goiânia. Caso a análise do parlamentar esteja correta, seria possível diminuir ainda mais essa diferença.

Para isso, porém, o governo terá de correr contra o tempo. Das obras citadas, apenas os três viadutos já foram iniciados. O VLT, por exemplo, ainda não foi nem licitado, e o cronograma prevê a conclusão do projeto só em julho de 2015. O Centro de Excelência e o Hospital da Região Noroeste também estão em situação semelhante.

Ainda assim, aliados do governador estão otimistas com o que as obras podem render nas eleições de 2014. “Eu acho que essas obras todas podem fortalecer muito o governador na capital. O candidato a governador sempre tem essa dificuldade na capital, mas tenho certeza que com o Hospital da Região Noroeste, o Centro de Excelência e esses viadutos ele vai fortalecer bem o nome dele”, explica o presidente da Agência Goiana de Esportes e Lazer (Agel), Célio Silveira (PSDB) (veja entrevista completa na página 3).

Em Anápolis, tucano toca obras de grande impacto

Em Anápolis, o governador também adota estratégia parecida. A cidade, que é o terceiro maior colégio eleitoral do Estado, também é governada por um possível pré-candidato da oposição, o prefeito Antônio Gomide (PT), que sustenta altos índices de popularidade na cidade. Por isso, o governo do Estado também tem planos ambiciosos para o município, com a realização de duas obras de vulto.

A primeira é o Aeroporto de Cargas, que integra o projeto da Plataforma Logística Multi­modal. Orçado em R$ 140 milhões, o projeto já está em construção e, segundo as expectativas do governo, deve ficar pronto em 2014. A outra obra prevista é Centro de Convenções de Anápolis, orçado em R$ 70 milhões e que será construído às margens da BR-153. A construção ainda não foi iniciada, pois depende da emissão de licenças ambientais, mas o governador já anunciou que planeja entregar a obra também no próximo ano. O Centro de Convenções em Anápolis é um promessa antiga do governador Marconi que ainda não saiu do papel.

Como está mais atrasada, a obra do Centro de Convenções demanda mais empenho do governo do Estado. Em janeiro, o presidente da Agência Goiana de Transporte e Obras Públicas (Agetop), Jayme Rincón, esteve em Anápolis para se reunir com Gomide, buscando parceria com a prefeitura para dar agilidade à obra do Centro de Convenções.

Assim como em Goiânia, o governo terá de correr para entregar as obras dentro do prazo e não correr o risco de deixar os projetos inacabados, ocasionando desgaste. Alheio a isso, porém, tanto o Aero­porto quanto o Centro de Convenções são iniciativas que visam manter a popularidade ao governador no município.

A importância de Anápolis é estratégica para o governador. No segundo turno de 2010, o tucano teve pouco mais de 82 mil votos de vantagem sobre Iris Rezende no município, compensando na cidade o mau desempenho em Goiânia. Para 2014, porém, a situação pode não ser a mesma.

O principal motivo é que, em 2010, Gomide só tinha pouco mais de um ano como prefeito. Agora, o petista tem altos índices de popularidade, o que pode atrapalhar o desempenho eleitoral de Marconi no município. Na eleição de 2012, por exemplo, o prefeito de Anápolis foi reeleito com quase 89% dos votos válidos.

Obras previstas para Goiânia

A última administração da base aliada do governador em Goiânia foi de 1997 a 2000, quando o prefeito foi Nion Albernaz (PSDB). De lá para cá, só a oposição comandou a prefeitura. O PMDB  governou com Iris Rezende entre 2005 e 2010, e o PT, com Pedro Wilson de 2001 a 2004, e Paulo Garcia, desde 2010. Por causa disso, uma das intenções do grande volume de obras estaduais é neutralizar um pouco da influência oposicionista na capital. Confira as principais obras:

VLT

A obra de maior impacto é também a que pode trazer mais dificuldade para o governador. Ainda sem estar licitado, o projeto do Veículo Leve sobre Trilhos tem um cronograma que, se cumprido à risca, será concluído só em 2015. Até lá, pelo investimento, que é de R$ 1,3 bilhão, e pela complexidade, a construção pode trazer mais desgastes do que benefícios.

Hospital da Região Noroeste (Hugo 2)

A construção do chamado Hugo 2 foi uma das principais promessas de campanha de Marconi Perillo. Passados dois anos, porém, o hospital ainda não saiu do papel. Segundo informações, o projeto está em fase final de elaboração, faltando apenas detalhes. Há uma expectativa de que as obras sejam iniciadas em 60 dias.

Duplicação de GOs nas saídas de Goiânia

Como forma de dar fluidez ao trânsito, o governo quer duplicar todas as saídas da capital. A GO-070, que liga Goiânia a Inhumas, já foi entregue. Na GO-040, entre a capital e Aparecida, as obras estão retomadas. Com o dinheiro do BNDES, estão previstas a duplicação da GO-403, até Senador Canedo, e da GO-020, até Bela Vista de Goiás.

Construção de três viadutos

Em mais uma obra que promete melhorar o trânsito em Goiânia, a construção dos viadutos nas GOs 060 e 070, que ligam Goiânia a Trindade e Inhumas, respectivamente, foram iniciados em março. O outro, na GO-080, saída para Nerópolis, está em fase de licitação. A previsão para o tempo de serviço é de oito meses.

Centro de Excelência do Esporte

Iniciada em 2006, a obra está parada desde 2009 por problema com o Ministério Público Federal e é um das que mais gera desgaste para a administração. Agora, o governo, por meio da Agetop, decidiu pela reconstrução completa do complexo, o que inclui também o Estádio Olímpico. Em fase de licitação, a previsão é de que as obras comecem até o meio do ano.

Autódromo

O Centro de Recuperação para Dependentes Químicos será construído em Aparecida, mas vai atender toda a população da região metropolitana. Serão cinco em todo o Estado, mas o primeiro a ser construído é o aparecidense. A obra servirá como resposta do governo à crescente preocupação com as drogas, que têm aumentado na capital.

Credeq

Em entrevista à Tribuna na última edição, o presidente da Agetop, Jayme Rincón, anunciou um projeto de melhorias no Autódromo Internacional de Goiânia. Dentre as mudanças, está a reforma da pista, construção de novos boxes e criação de um parque, além de iluminação do circuito externo para possibilitar a utilização do local por ciclistas.

Fonte: Tribuna do Planalto