9 de abril de 2013

Cesta básica aumenta em Goiânia



Levantamento feito pelo Dieese mostra aumento de 0,50%, em março, puxado por sete produtores. Custo é quase 50% do valor.

Os preços dos gêneros alimentícios que formam a cesta básica continuaram em alta e subiram no mês de março em Goiânia e outras 15 das 18 capitais onde Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) realiza a Pesquisa Nacional da Cesta Básica. Goiânia se manteve na 8ª posição, com a cesta valendo R$ 287,78, com aumento de 0,50% em relação a fevereiro. As maiores altas ficaram com Vitória (6,01%), Manaus (4,55%), e Salvador (4,08%). Reduções ocorreram apenas em (-2,25%) e Natal (-1,42%). A cesta mais cara foi a de São Paulo (R$ 336,26).

Na cesta goianiense, 7 dos 13 itens registraram alta. São eles a batata (11,86%), feijão (4,16%), farinha de trigo (3,10%), manteiga (2,32%), pão francês (2,26%), tomate (1,67%), e arroz agulhinha (0,46%). Registraram queda cinco itens: óleo de soja (-3,93%), carne bovina (-3,14%), café em pó (-3,03%), banana prata (-2,52%) e açúcar cristal (-0,64%). O leite in natura integral manteve com preço estabilizado.

Devido à alta do custo da cesta no mês, o trabalhador goianiense que remunerado pelo salário mínimo necessitou cumprir, em março, jornada de 93 horas e 23 minutos para comprar os mesmos produtos que, em fevereiro, exigiam a realização de 92 horas e 55 minutos. Em março de 2012, o tempo de trabalho necessário para a aquisição da cesta era de 82 horas e 49 minutos. Levando-se em consideração o valor líquido do salário mínimo, após os descontos previdenciários, o custo da cesta comprometeu quase metade do ganho do trabalhador: 46,14% – em fevereiro, o percentual exigido era de 45,91%, enquanto que em março de 2012 foram 40,92%.

Desoneração
O aumento da cesta básica em praticamente todo o País continua em alta, apesar do anúncio, há um mês, da desoneração dos preços da cesta básica. Para o coordenador do Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) e pesquisador da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Paulo Picchetti, ainda é difícil perceber efeitos relevantes sobre os preço da medida, que parece não estar sendo repassada integralmente pelos fabricantes.

“A maioria dos itens está caindo, mas, mesmo creditando as quedas à desoneração, ainda assim, o fato é que um mês depois, em termos quantitativos, estamos muito aquém do que seriam as reduções se tivéssemos tido repasse integral”, afirmou. Picchetti citou o caso do óleo de soja, que recuou 3,68% na primeira semana de abril, nem metade do repasse integral da desoneração (9,25%).

No dia 8 de março, a presidente Dilma Rousseff anunciou a redução do PIS/Cofins de 9,25% para zero das carnes, café, óleo, manteiga, açúcar e papel higiênico. A pasta de dente e o sabonete, que eram tributados em 12,5%, também tiveram alíquota de PIS/Cofins zerada. No caso do açúcar e sabonete, o IPI caiu de 5% para zero.

E, como alguns produtos já vinham com tendência de queda antes da medida, “é difícil separar o que é desoneração e o que é fundamento”, afirmou, citando como exemplo os preços de carnes bovinas e óleo de soja. Carnes estão em deflação refletindo o aumento recente da oferta, enquanto no óleo, a trajetória acompanha a queda dos preços do grão no atacado.

De acordo com Picchetti, o caso mais grave é o do sabonete. “É o pior, porque já vinha aumentando e agora acelerou”, disse. Segundo Picchetti, os preços do produto subiam 0,29% na segunda semana de março, e agora, um mês depois, têm alta de 0,97%. “Parece haver uma negociação entre os elos da cadeia com alguns setores afirmando que vão recompor margens de lucros, mas o fato é que essa redução não está chegando.”

Preços do tomate tendem a cair em maio
Os preços do tomate tendem a cair em maio, com a chegada ao mercado da safra de inverno. A previsão é do analista Fabrício Quinalia Zagati, do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP), que tem uma equipe dedicada ao acompanhamento diário do mercado brasileiro dos produtos hortifrutícolas. Com o pico de produção da safra de inverno do fruto entre maio e junho, o consumidor deve pagar menos pelo produto nos próximos meses, aliviando a pressão sobre a inflação.

Na opinião de Zagati, apontar o tomate como o “vilão da inflação” é uma injustiça com o agricultor, pois em abril do ano passado o preço do fruto na roça era de R$ 12 a caixa de 22 quilos. O valor era insuficiente para cobrir o custo de produção Ele argumenta que o produtor neste ano chegou a receber R$ 100 pela caixa de tomate justamente por causa do desestímulo provocado pelos baixos preços do ano passado, que levaram a uma redução de 20% na área da safra de verão, que foi plantada no segundo semestre e colhida a partir de dezembro de 2012.

O analista afirmou que nos contatos diários com as fontes de mercado o Cepea apurou que, mesmo com os altos preços do tomate nos primeiros quatro meses deste ano, a expansão da área não deve ser expressiva no plantio de inverno, por causa do temor de que o excesso de oferta mais uma vez pressione os preços e também devido à limitação de área disponível e à falta de mão de obra. A estimativa é de aumento de área entre 3,5% a 5% nas principais regiões produtoras. A colheita iniciou em março em Araguari (MG), Sul de Minas, Paty do Alferes (RJ) e norte do Paraná, as primeiras a ofertar o fruto de inverno. A partir deste mês começou entrar no mercado o produto de Mogi Guaçu e Sumaré (SP), Itaocara (RJ) e Pará de Minas (MG). Em maio começa a colheita em São José de Ubá (RJ).

Zagati não acredita que a isenção da tarifa de importação de 10% seja suficiente para resolver o problema de alta de preços do tomate com a vinda de produtos do exterior. Ele considera difícil a importação da China, por causa da questão de preços para colocar o produto no mercado brasileiro e também de qualidade, pois o tomate de mesa é um produto de “vida de prateleira curta”. A tendência para os próximos meses é de queda de preços do tomate, mas os valores devem ser superiores aos da safra de inverno do ano passado, diz o analista.

Fonte: Jornal O Hoje