28 de março de 2013

Ambulâncias às moscas



Município conta com 93 viaturas, 13 paradas em galpão de oficina mecânica. Faltam veículos e contingente de funcionários é deficitário.

Cerca de 13 ambulâncias estão paradas em Goiânia para conserto ou manutenção. Segundo dados da Secretaria Municipal de Saúde, atualmente existem 5 veículos no conserto. Além destes a média diária é de 8 ambulâncias em manutenção. No total a população conta com 39 ambulâncias sanitárias tipo A, ou seja, veículos que realizam o transporte eletivo (pacientes não graves). Desse total, 29 carros são de frota própria e, 10, locados.

A situação é caótica tendo em vista que as ambulâncias não atendem apenas as unidades de saúde, mas também buscam, para consultas e exames, pacientes idosos, pessoas que fazem hemodiálise e quimioterapia. Além do estado de conservação das ambulâncias, o número de veículos para atender a toda essa demanda é insuficiente.

Além da população, os motoristas das ambulâncias também estão reclamando quanto às suas condições de trabalho e situação dos veículos dirigidos por eles. Para os profissionais, o número de motoristas trabalhando não é suficiente o que causa excesso de trabalho e sobrecarga. Um dos motoristas da SMS que levaram a situação das ambulância a público e que preferiu não ser identificado relata a respeito. Para ele, o problema vai além do mau estado de conservação dos veículos. “Temos de fazer o dobro da correria, quando voltamos para o Cais, já existem seis pessoas esperando por nós, não paranos porque só existe uma ambulância” afirma. Para ele o trabalho fica ainda pior quando não há acompanhantes com os pacientes. “Ficamos conversando e ainda tenho que dar atenção aos pacientes e prestar atenção no trânsito, quando nossa função é dirigir.”

Segundo o motorista, a conservação dos veículos não ajuda em nada. “Eles têm uns oito anos de uso, lataria em péssimas condições, giroflex e sirene não funcionam. Tenho quase dois metros de altura e dentro de um carro com banco quebrado, me sinto um caco ao final do dia”, ressalta. Segundo ele, os consertos poderiam ser mais ágeis. “Se o pessoal quisesse mesmo, arrumava essas ambulâncias para amanhã”, diz.

O motorista ainda conta que enquanto as ambulâncias estão no conserto os motoristas não trabalham. “Para cada ambulância na oficina existe, por trás desse fato, quatro motoristas parados, a R$ 100 por dia que eles (SMS) pagam ao motorista parado, então se colocarmos os prejuízos no final do mês seria suficiente para comprar outras ambulâncias”, diz.

Quando os veículos estragam a informação é passada por eles à Central da SMS. “O procedimento, quando o veículo estraga, é ligarmos para a  Central da secretaria e eles mandam a divisão de transportes buscar ou o levamos até a oficina nós mesmos”, esclarece.

A responsável pela Divisão de Transportes da Secretaria Municipal de Saúde, Maxilânia Clemente Costa, discorre as prováveis soluções para o problema. “Nossa frota própria é constituida por 9 veículos ano 2005 –  oito anos de uso -  20 deles ano 2008,  - cinco anos de uso, - outras 10, terceirizadas, que quando estragam são substituídas solucionando o problema. O maior problema é o tempo de uso dos veículos”, diz.

Maxilânia explicou que há ainda dois veículos batidos em avaliação para definir se irão ou não ao conserto.” Talvez com o valor da manutenção a melhor opção não seja restaurar as duas ambulâncias, não compensa.”

Segundo Maxilânia, os motoristas são responsáveis por avisar a necessidade de consertos das ambulâncias, além de levá-las à oficina quando possível. “Avisam a Central, ela atende, aquilo que pedem para ser consertado é realizado, no entanto muita das vezes quando vão retirar o veículo não o conferem. Nem sempre aquele que entrega o veículo é quem busca, alguns carros ficam parados lá. Eles deveriam acompanhar o processo, se não foi executado o conserto, eles são avisados: não se pode retirar o veículo novamente”, explica.

Em relação aos motoristas que ficam à espera do concerto das viaturas, ela explica que não é bem assim como afirmam:  “Na verdade isso acontecia antes, solicitavam algum conserto, pediam para ficar na unidade de saúde, com isso, de dez consertos diários passamos a 20”. Agora, segundo ela, quando a ambulância está no conserto, os motoristas são remanejados para outras unidades ou até mesmo para a divisão de transportes para cobrir férias ou licença de outros que não estejam trabalhando. “É por isso que eles estão reclamando”, ressalta.

Para ela, o quadro deve melhorar caso seja levado adiante o processo de licitação que prevê locação de  40 ambulâncias substituindo as atuais, antigas, que precisam de manutenção com grande frequência.

Fonte: Diário da Manhã